Ritmo e auto-percepção – Performativamente perturbando o Eu prestando atenção à atenção
DOI:
https://doi.org/10.34619/3b8m-udvdPalavras-chave:
prática como investigação, biofeedback, tecnomediação, artes performativas, ecologias da atençãoResumo
A discussão contemporânea sobre a atenção está frequentemente intrinsecamente ligada a julgamentos morais sobre como e em relação ao quê devemos prestar atenção – e à vilificação recorrente das tecnologias de mediação. Através da passagem da crítica à economia da atenção, para um olhar sobre a ecologia da atenção, e considerando o debate pós-estruturalista sobre a ontotecnologia dos seres humanos, compreendemos a centralidade que ocupa a preocupação com a perda de controle sobre o Eu, bem como uma busca pela ênfase sobre a alteridade, ordem e sistematicidade. Isso pode ser visto como uma preocupação com o ritmo da atenção, da vida e dos processos de mediação. A arte, por outro lado, pode ser pensada como um tipo específico de espaço, onde a experimentação com a atenção pode ocorrer, para além dos pressupostos quotidianos e das compreensões hegemónicas sobre como a atenção se deve manifestar. Partindo de uma peça existente, "Bad Touch", e construindo sobre ela uma série de sistemas de feedback tecnologicamente orientados que são particularmente sensíveis a um processo corporal de foco na própria atenção, demonstramos como a perda voluntária de controle – assistida por tecnologias supostamente destinadas a garantir o controle – pode apoiar a nossa reflexão sobre a própria atenção, e sobre como as lógicas binárias em torno de des/atenção, des/controle ou des/humanidade falham em certos contextos; como a perda de ritmo pode ter potencial criativo precisamente porque pode ser derivada de uma recusa deliberada face ao controlo instrumental. Por fim, procuramos refletir sobre o que este trabalho artístico clarifica, no que toca às dicotomias humano/máquina, corpo/mente, artista/obra de arte, e como isso pode reconfigurar o valor da alteridade, encarando-a como uma condição prévia para a mesmidade, e a atenção como um sistema de valorização da alteridade.
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Bad Touch. Casey Cangelosi. Commissioned by Paopun Mu Amnatham, 2013.8:45 mins.
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