Descolonizar a visualidade: Introdução

Autori

DOI:

https://doi.org/10.34619/araa-bqbh

Abstract

Esta edição da RCL propôs-se refletir sobre descolonização da visualidade, a que acrescentámos as palavras “olhares, consciências, modos de pensar e agir” precisamente para assinalarmos a abrangência que o termo visualidade propõe, notando os vasos comunicantes que se estabelecem entre imagens exteriores e imagens mentais interiores, entre pensamentos e ações, entre percepções e representações e o papel desempenhado pelas imagens nos processos de aculturação e interiorização das normas sociais, ou seja, na constituição de subjectividades e formas de sociabilidade.Do mesmo modo que constituem formas de expressão de subjectividades alternativas, participando nas mudanças sociais. O mundo em que formalmente os territórios colonizados se emanciparam e libertaram é também o mundo onde vários dos seus legados perduram, nas diversas formas de opressão social e ambiental que ainda vivemos, hoje, apesar das muitas melhorias conquistadas pelas democracias, nos lugares onde esta existe. O espaço de visualidade criado pelo colonialismo funciona como um espaço onírico composto de imagens mentais que mostram, no real, aquilo que não é visível. As imagens e as palavras, através das suas especificidades, foram e são usadas como forças legitimadoras de formas de poder que oprimem e fixam representações sobre comunidades inteiras ou pessoas, cuja imagem e palavra se lhes retira. Perceber e interrogar estes processos, cujo lastro advém do colonialismo histórico, é o foco desta edição. Fazê-lo é também, defender a democracia e a justiça social e ambiental. Esta edição da RCL quer contribuir para esses valores, no momento em que se comemora os quase 50 anos do processo democrático em Portugal (que aconteceu a 25 de abril de 1974).

Biografie autore

Teresa Mendes Flores, ICNOVA, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Universidade Lusófona, Portugal

Historiadora de fotografia e cinema e investigadora em arqueologia dos media, em cultura visual e semiótica. Doutorada em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa (2010), é investigadora do ICNOVA e Professora Auxiliar no Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade Lusófona. Publicou os livros Cinema e Experiência Moderna (Minerva Coimbra, 2007), Photography and Cinema. Fifty Years of Chris Marker’s La Jetée (Cambridge Schollars, 2015), Política no Feminino (Aletheia 2016) e Imagens&Arquivos. Fotografias e Filmes (Livros ICNOVA, 2021), para além de diversos capítulos de livro e artigos. Foi a investigadora principal do projeto de investigação “O impulso fotográfico: medindo as colónias e os corpos colonizados. O arquivo fotográfico e fílmico das missões portuguesas de geografia e antropologia.” (PTDC/COM-OUT/29608/2017), financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, e uma das curadoras da exposição “O impulso fotográfico. (Des)arrumar o arquivo colonial” (patente no Museu de História Natural e Ciência de Lisboa). Co-diretora da Revista de Comunicação e Linguagens, foi, até recentemente, coordenadora do Grupo de Investigação Cultura,Mediação&Artes do ICNOVA. Atualmente, integra a equipa dos projetos Curiositas: Peeping Before Virtual Reality. A Media Archaeology of Immersion Through VR and the Iberian Cosmoramas (PTDC/COM- OUT/4851/2021) e ‘Decolonising the Panorama of Congo: A Virtual Heritage Artistic Research’ (H2020). Os seus interesses incluem género e cultura visual, arqueologia dos media óticos e imersivos, fotografia em contextos coloniais, e estudos pós-coloniais e de memória. 

Filipa Maia Duarte de Almeida, Professora-investigadora de Antropologia Africana do departamento de Antropologia da Universidade Omar Bongo, Libreville

Filipa Maia Duarte de Almeida nasceu em Lisboa, em 1969. É licenciada em Design Industrial pela Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação (IADE), mestre em História de África pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, doutora em Antropologia, especialidade Religiões Africanas, pela Universidade Omar Bongo (Libreville-Gabão). Docente do Departamento de Antropologia da Universidade Omar Bongo, responsável pelo curso de Mestrado em Antropologia Sensitiva. Membro do Grupo de Investigação Corps, Societé et Pouvoir, e do Séminaire Interdisciplinaire des Études et Recherches Africaines, onde coordenou e/ou participou, em vários projetos de investigação, seminários e colóquios, donde se destacam o Colóquio Internacional “Le sexe postcolonial em Afrique Centrale et Ailleurs”, tido em Abril de 2022. Autora de vários artigos e palestrante em diversos seminários, conferencias e colóquios. 

Joseph Tonda, Professor Catedrático de Sociologia e Antropologia, Director da Formação Doctoral da Universidade Omar Bongo, Libreville

Joseph Tonda, de nacionalidade Congolesa / Gabonesa, nasceu em Mekambo (Gabão). Cresceu e estudou na República do Congo e completou os seus estudos universitários em França. É atualmente Professor Catedrático de Antropologia e Sociologia, na Universidade Omar Bongo (Libreville, Gabão). É convidado regularmente pela Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales (Paris), assim como por diversas universidades internacionais (EUA, América do Sul, Europa e Ásia) enquanto conferencista e seminarista. Autor de La guerrison divine en Afrique Centrale (2002, Paris Karthala), Le Souverain Moderne. Le corps du pouvoir en Afrique Centrale (2005, Paris, Karthala), L’Impérialisme postcolonial. Critique de la société des éblouissements (2015, Paris, Karthala), e Afrodysthopie. La vie dans le rêve d’Autrui (2021, Paris, Karthala), Joseph Tonda debruça-se sobretudo sobre as relações sociais de poder e sobre as formas de expressão cultural e religiosa das sociedades da África Central. Foi colocado pela revista New African entre os 50 intelectuais africanos contemporâneos mais relevantes. É autor dos romances Chiens de Foudre e Tuée-tuée mon amour. 

Pubblicato

2022-12-30

Come citare

Mendes Flores, T., Almeida, F. M. D. de, & Tonda, J. (2022). Descolonizar a visualidade: Introdução. Revista De Comunicação E Linguagens, (57), 9–26 / 27. https://doi.org/10.34619/araa-bqbh