Os Padres do Deserto na Galiza: Apropriações e usos da Literatura Monástica Oriental na Autobiografia de Valério do Bierzo
Implicações no Imaginário sobre o Mal
Resumo
A apropriação literária no âmbito hagiográfico na Idade Média, ou em seu alvorecer, como a época que nos ocupa, deve ser vista pelo historiador do imaginário, como um processo que implica, não só a subtração de textos, e mesmo ideias, mas, de alguma forma, a “presentificação”, com suas devidas adequações, do lido e do apropriado pelo leitor, a seu vivido. O texto e suas circunstâncias criam a “realidade” do leitor, aflora na sua mesma práxis, no seu cotidiano sensível, e se o vive novamente; e, ainda mais “plenamente”, pois o acontecimento se vê asseverado e justificado pela força de verdade e autoridade do antigo, tão caro ao homem medieval, principalmente no âmbito das religiosidades, em que ocupa um lugar premente a mentalidade e o imaginário. Apresentamos aqui, um texto talvez único na Antiguidade Tardia, o de um monge santo, nada abastado social e economicamente, que se auto-incumbiu de hagiografar-se. E neste seu trabalho, deixou-nos um testemunho, talvez igualmente único, das vicissitudes mentais de um monge asceta, que engendradas em grande medida por suas leituras, passaram a práxis do seu cotidiano, pois ambas as circunstâncias deveram comungar de situações e estados análogos. A leitura, e seus mecanismos mentais, realizados por Valério do Bierzo, frente à “vida” e os “feitos” dos Padres do Deserto se realizavam para que, de alguma forma, justificassem sua mesma existência e suas realizações, e não porque o eremita hispano se apropriava das virtudes e das circunstâncias daqueles tão só aplicando-as a seu texto, mas porque igualmente as vivia de forma tão “sensível” e “real” como acreditara vivenciado por aqueles.
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