Algures entre o Inferno e o Céu. Trajectórias e mutações da ficção segundo Merlim

Autores

  • Carlos Clamote Carreto Universidade Aberta e membro do CEIL (Centro de Estudos sobre o Imaginário Literário)

Resumo

Emergindo na confluência do mito e da ideologia, Merlim surge inquestionavelmente como uma das figuras mais persistentes e enigmáticas do imaginário ocidental: daí o seu imenso magnetismo e poder de significação; daí, também, a sua resistência à interpretação. Não é fácil seguir os rastos desta personagem que é, simultânea e alternadamente, rei e louco, velho e eterna criança, homem selvagem e profeta, anjo e demónio, poeta e cronista, emblema do excesso de sentido e do vazio fundador das origens, ao longo de uma tradição literária vasta e complexa, já que a essência de Merlim reside precisamente na anamorfose e na transfiguração que conduzem a uma constante reconfiguração da sua identidade poética, simbólica e ideológica. Enquanto desafio à própria representação, poderá Merlim e o seu corpo-palimpsesto tornar-se emblema dos paradoxos e mutações inerentes à escrita medieval entre os séculos XII e XIII e metaforizar o devir da ficção arturiana que, algures entre o Inferno e o Céu, continua incessantemente em busca do seu lugar no universo?

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Publicado

2008-12-01

Como Citar

Clamote Carreto, C. (2008). Algures entre o Inferno e o Céu. Trajectórias e mutações da ficção segundo Merlim. Medievalista, (5). Obtido de https://revistas.fcsh.unl.pt/medievalista/article/view/1121

Edição

Secção

Artigos