Qualquer correspondência epistolar coloca, para lá da sua contextualização e eventual importância histórica, a questão fundamental de determinar o papel desempenhado por cada um dos interlocutores nessa relação. Interessa-nos, tomando como exemplo algumas cartas escritas e recebidas por Fernando Pessoa (em tempos da revista Athena), perceber até que ponto podemos estar equivocados quando tendemos a pensar que a carta mostra (e esconde também) sobretudo o remetente/escrevente e só, subsidiariamente, o destinatário.