Este artigo propõe uma reflexão sobre dois elementos considerados marcantes na relação epistolar entre Fernando Pessoa e Armando Côrtes-Rodrigues: o primeiro é a troca epistolar honesta que caracteriza o diálogo entre os dois poetas, comummente considerado um dos aspetos mais salientes da correspondência entre os dois, e o segundo é a peculiaridade da
cronologia desta correspondência, que, depois de ter sido interrompida em 1916, foi reestabelecida através de uma única carta enviada por Fernando Pessoa em 1923. Tentar-seá investigar as razões por trás deste intervalo temporal, especialmente tendo em consideração a coincidência entre estas duas datas marcantes da correspondência e duas datas marcantes da atividade literária pessoana: o falhanço do projeto Orpheu e o lançamento da revista Athena.