Determinismo, livre-arbítrio e natureza humana em Bombarda e Matos: revisitando o pensamento médico-filosófico português
DOI:
https://doi.org/10.34619/dhag-oshoPalavras-chave:
Miguel Bombarda, Júlio de Matos, determinismo, livre-arbítrioResumo
Este artigo revisita a imagem historiográfica de Júlio de Matos como pensador “moderado” e de Miguel Bombarda como pensador “radical”. Demonstra que tal distinção assenta mais no estilo retórico de ambos os autores do que no conteúdo filosófico, e em leituras historiográficas condicionadas por limitado conhecimento científico. Ambos defenderam um determinismo biológico da mente e rejeitaram o livre-arbítrio, mas Matos radicalizou posições através de conceções racialistas, lombrosianas e eugénicas, que, aliás, promoviam uma profunda desigualdade social, enquanto Bombarda, embora materialista, articulou a sua filosofia com ideais republicanos, nos quais não se encontram convicções de desigualdade antropológica. A análise propõe reavaliar as suas ideias à luz das neurociências atuais.
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