Valorar e capacitar para além da empatia: duas tarefas éticas dos cuidados médicos?

Autores

  • Nuno Miguel Proença Investigador. Colaborador do CHAM, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, FCSH, Universidade NOVA de Lisboa, Portugal. Membro da equipa do Projecto em Humanidades Médicas do Centro de Estudos Anglísiticos da Universidade de Lisboa, Portugal https://orcid.org/0000-0002-1618-695X

DOI:

https://doi.org/10.34619/s7me-f0pg

Palavras-chave:

afectividade, normatividade, vida, potencialidade, inovação

Resumo

Com vista à melhoria da qualidade das práticas clínicas e hospitalares, as Humanidades Médicas, tal como a investigação em ética, insistem na importância da empatia e da compaixão. Reconhecendo a relevância fundamental destas disposições afectivas para os cuidados de saúde, este artigo de orientação filosófica procura, no entanto, entender os limites de ambas em contextos de constante exposição à dor e ao sofrimento, recordando as considerações da médica e filósofa Anne Fagot-Largeault, antes de assinalar o interesse que há em desenvolver um ethos do cuidar que passe pela capacitação de quem suscita o cuidado. Graças a uma leitura de trabalhos de Georges Canguilhem e Cynthia Fleury, o artigo defende que o cuidado assume o carácter de invenção de normas e de afirmação de valores que tornem viável a singularidade de cada vida transtornada e transformada pela doença. A subjectividade e a imaginação dos parceiros desta tarefa, tal como os diferentes saberes e as possibilidades técnicas e tecnológicas de que dispõem, poderão assim aliar-se num conjunto de perspectivas que tanto as Artes e as Humanidades, como as Ciências Sociais, poderão enriquecer.

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Publicado

31-12-2025

Como Citar

Proença, N. M. (2025). Valorar e capacitar para além da empatia: duas tarefas éticas dos cuidados médicos?. Cultura, 44, 101–123. https://doi.org/10.34619/s7me-f0pg