Entre a objetivação biomédica e a subjetivação narrativa do corpo doente: humanidades médicas e sociologia da saúde em diálogo
DOI:
https://doi.org/10.34619/exsw-lhjcPalavras-chave:
biopolítica, subjetivação narrativa, humanidades médicas, sociologia da saúde, corpo doente, experiência de doençaResumo
Este artigo, em forma de ensaio, analisa as tensões entre objetivação biomédica e subjetivação narrativa no entendimento contemporâneo do corpo doente. Articulando contributos das humanidades médicas e da sociologia da saúde, discute-se o corpo como construção biopolítica e espaço de produção de sentido, marcado simultaneamente por práticas de governação e por narrativas da experiência de doença. O objetivo é clarificar como estes dois regimes – objetivação e subjetivação – se entrecruzam na produção de conhecimento, na organização dos cuidados de saúde e na constituição de sujeitos doentes. O texto mapeia convergências teóricas e dilemas éticos entre as duas abordagens, discutindo de que modo a medicina narrativa pode funcionar como interface crítica entre técnicas biomédicas e experiências vividas. Por fim, sugerem-se pistas analíticas e algumas indicações práticas para integrar perspetivas críticas e narrativas na clínica, na formação em saúde e nas políticas públicas, sublinhando que compreender o corpo doente exige reconhecer, em conjunto, as dimensões técnicas, sociais e subjetivas do cuidado.
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