E Agora, José? de José Cardoso Pires e a memória antifascista
DOI:
https://doi.org/10.34619/xnif-kgx7Palavras-chave:
memória antifascista, fascismo, justiça de transição, revolução, temporalidade constelar, dever de memóriaResumo
E Agora, José? (1977) é o primeiro livro que José Cardoso Pires publica depois da Revolução Portuguesa (1974-1976), reunindo ensaios, textos testemunhais e de intervenção pública, anteriores, coevos ou posteriores a esse marco maior da história portuguesa contemporânea. O dever de memória leva o escritor a recapitular os efeitos castradores da ditadura sobre o campo cultural e a evidenciar a resposta contra-hegemónica antifascista em que se destacou o neo-realismo. Subsequentemente identifica o substrato antifascista da floração revolucionária, analisando as suas conquistas, impasses e derrotas no Portugal democrático nascido a 25 de Abril de 1974. Assim se conjugam a auto-representação do escritor que se olha ao espelho depois dos 50 anos e a assunção de um tempo colectivo em que o júbilo emancipatório de Abril sofreu já um golpe contra-revolucionário e os vencedores daquele processo histórico forjam um consenso para obliterar a memória da resistência antifascista.
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